Palestrantes convidados

BasiliVic

A Evolução da Experimentação em Engenharia de Software: Uma Perspectiva Pessoal

Apesar de que quase todas as disciplinas científicas e de engenharia enxergam a experimentação como elemento base do seu estudo, esta visão não tem sido tradição em engenharia de software. Não tem tido uma relação simbiótica entre o desenvolvimento de teorias e conceitos de engenharia e estudos experimentais que testam e evolvem essas teorias e conceitos.

Esta palestra discute a evolução da experimentação nas disciplinas de engenharia de software desde o início dos anos 70 com relação aos tipos de estudo sendo executados, o conjunto de métodos sendo aplicado, a natureza das publicações, a comunidade de pesquisadores experimentais, o status das replicações e meta-analises, e o papel das variáveis de contexto. Ela proporciona uma visão pessoal e histórica da evolução de estudos experimentais através de uma série de exemplos de aplicação que demonstram os vários papeis que a experimentação pode desempenhar e o que temos aprendido. Os exemplos são retirados de estudos em que o palestrante tem se envolvido. A palestra oferece um conjunto de críticas sobre o que está faltando, sugestões do que precisamos fazer, e quais barreiras enfrentamos para atingir uma disciplina de engenharia real que continue a evoluir nosso conhecimento e demonstrar o impacto da pesquisa.

Victor Basili é Professor Emérito do Departamento de Ciência da Computação e do Instituto para Estudos Computacionais Avançados na Universidade de Maryland. Prof. Basili já escreveu mais de 250 artigos para periódicos e conferências, já ministrou mais de 50 palestras, foi Editor chefe do periódico IEEE Transactions on Software Engineering, Program Chair e General Chair da 6ª e 15ª Conferência Internacional de Engenharia de Software. Ele também foi editor do Journal of Systems and Software. Ele é co-editor fundador do Journal of Empirical Software Engineering, publicado pela Springer


Guilherme-Horta-Travassos

“Sensíveis, invisíveis, às vezes tolerantes, heterogêneos, descentralizados e interoperáveis…e precisamos garantir sua qualidade…”


Sistemas de software contemporâneos apresentam propriedades que se somam aquelas apresentadas em software convencional. Características relacionadas a onipresença de serviços, captura de experiências e intenções, adaptação ao comportamento, descentralização, descoberta de serviços,  heterogeneidade de serviços e dispositivos, interoperabilidade, mínima intervenção do usuário e tolerância a falhas normalmente emergem neste cenário tecnológico.  Em geral, estes sistemas de software interagem com atores, não necessariamente humanos, e  são sensíveis ao contexto, ou seja, capturam o contexto e o utilizam como guia comportamental na interação ator-computador.

Garantir a qualidade de qualquer software é de fundamental importância, tendo em vista sua inserção no dia a dia da sociedade. Entretanto, realizar a verificação e validação (testes) destes sistemas de software contemporâneos considerando que as tecnologias disponíveis não foram, em geral,  desenvolvidas para tratar e/ou considerar estas propriedades torna-se um desafio.

Esta palestra intenciona discutir estas questões. Tendo como base evidencias obtidas nas pesquisas desenvolvidas no Grupo de Engenharia de Software Experimental da COPPE/UFRJ e mais recentemente no contexto do projeto CNPq (484380/2013-3) CAcTUS – Testes Sensíveis ao Contexto para Sistemas Ubíquos, desafios da pesquisa e da prática serão apresentados a audiência.

Guilherme H. Travassos é Engenheiro Eletricista (Universidade Federal de Juiz de Fora, 1985), Mestre (1990) e Doutor (1994) em Engenharia de Sistemas e Computação pela COPPE/Universidade Federal do Rio de Janeiro. Realizou estágio de Pós-Doutorado na University of Maryland-College Park juntamente com o SEL/NASA (USA – 1998-2000), tendo como focos principais experimentação aplicada na Engenharia de Software e linha de produto de software. Atualmente é professor do Programa de Engenharia de Sistemas e Computação (PESC) da COPPE/Universidade Federal do Rio de Janeiro. Prof. Travassos é bolsista de produtividade do CNPq (1D). Suas pesquisas estão inseridas no contexto da Engenharia de Software Experimental, atuando principalmente nos seguintes temas: qualidade de software (VV&T), ciência em larga escala, engenharia de aplicações WEB e sistemas ubíquos, simulação em engenharia de software, ambientes e ferramentas para apoiar o desenvolvimento e experimentação em software. Lidera o grupo de Engenharia de Software Experimental da COPPE/UFRJ e faz parte da ISERN – International Software Engineering Research Network. É membro da SBC – Sociedade Brasileira de Computação e membro profissional da ACM – Association for Computer Machinery. É editor associado do periódico Elsevier- Information & Software Technology (IST) e compõem o corpo editorial dos periódicos SpringerOpen – Journal of Software Engineering Research and Development (JSERD) e World Scientific – International Journal of Software Engineering and Knowledge Engineering (IJSEKE). Colabora intensamente com a indústria de software através dos projetos de pesquisa & desenvolvimento desenvolvidos pela COPPE/UFRJ. A lista de suas publicações pode ser encontrada em:  https://scholar.google.com.br/citations?user=hn4LDmkAAAAJ&hl=pt-BR&oi=ao. O CV completo está disponível na Plataforma Lattes do CNPq: http://lattes.cnpq.br/7541486051032916


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Prevendo o valor global de decisões relativas à gestão de projetos/produto de software

 No atual cenário de competitividade nas indústrias de produtos e serviços, o software tornou-se o principal diferencial para a vantagem competitiva, permitindo inovação mais rápida e barata na diferenciação do produto, sem restrição de domínio. Assim como o tamanho e a complexidade das soluções baseadas em software aumentam, o mesmo acontece com o impacto das decisões de desenvolvimento de software sobre a oferta global do produto. Desta maneira, todas as decisões tomadas em relação à gestão e desenvolvimento de produtos/projetos de software (por exemplo, quais as características de design, qual o nível de qualidade a oferecer, ou qual a tecnologia a escolher) irão impactar em todo o ciclo de vida do produto/projeto de software, além de limitar as possibilidades futuras e direcionamento tanto do software quanto do negócio.

Várias empresas em todo o mundo entregam produtos e serviços baseados intensamente em software. Um dos maiores desafios é causado frequentemente pela tomada de decisões de gestão de produto/projeto considerando apenas os custos de curto prazo (custos estimados) ignorando aspectos de valores de longo prazo para o negócio, tais como a sustentabilidade e inovação. Para sustentar o crescimento, manter a vantagem competitiva e inovar, essas empresas devem fazer uma mudança de paradigma por também adotar aspectos relacionados ao valor de longo prazo, a fim de orientar a sua tomada de decisão. Essa necessidade está claramente pressionando indústrias inovadoras, tais como: TICs (Tecnologia de Informação e Comuncação) e Serviços Digitais.

O objetivo desta palestra é apresentar um framework de engenharia de software baseada em valor que permita às empresas elaborar modelos preditivos para fornecer estimativas do valor global de cenários de decisão relativos à gestão de produto/projeto de software dentro do domínio das TICs e serviços digitais e cenários “e-se”, que podem ser comparados e contrastados, permitindo assim uma melhor tomada de decisão e contribuindo para o aprimoramento de modelos mentais para tomada de decisão (conhecimento tácito).

Emilia Mendes é professora de Engenharia de Software no Instituto Blekinge de Tecnologia (Suécia). Obteve seu PhD em Ciência da Computação pela Universidade de Southampton (Reino Unido), em 1999, e, em seguida, iniciou sua carreira acadêmica em tempo integral no Departamento de Ciência da Computação da Universidade de Auckland (NZ), onde trabalhou por 12 anos. Depois de deixar a NZ, e antes de se mudar para a Suécia, foi professora Associada na Universidade de Zayed (UAE) por um ano. Sua pesquisa é interdisciplinar, abrangendo diversas disciplinas – Ciência da Computação, Engenharia de Software Empírica e Engenharia Web, e Educação em Engenharia Web e Hipertexto. Até o momento ela já publicou mais de 200 publicações, que incluem três livros (editado (2005 – Engenharia Web) e dois de autoria (2007 – Técnicas de estimativa de custos para projetos Web; 2014 – de Representação do Conhecimento do profissional: Um caminho para melhorar a estimativa de esforço de software) ). Ela trabalhou na indústria de TICs por dez anos como programadora, analista de negócios e gerente de projetos antes de se mudar para o Reino Unido no final de 1995 para iniciar os seus estudos de doutorado.